13
Nov 05
13
Nov 05

Estado de espirito...

“ Conhecermo-nos é dificil, mas darmo-nos a conhecer será das piores coisas a fazer ou, pelo menos, tentar. Persistirá sempre a duvida do que vai no pensamento dos outros. Como saber o que pensam realmente de nós esses outros que nos limitam e condicionam como se de seres importantes se tratassem? Pensei e reflecti e cheguei à conclusão que no mundo não há ninguém realmente merecedor de me conhecer nos meus momentos tão intimos de glorificação. Eis a razão deste manuscrito…serás tu que vais conhecer aquilo que me define, as coisas que me explicam e revelam. Deverei estar numa fase dificil com toda esta furia de me revelar ou poderá ser apenas um acto de puro narcisismo em que me sinto importante ou pode ser outra coisa qualquer…não sei. Sei que estou aqui em tom de conversa, em tom de monólogo uma vez que não me respondes, disposta a revelar um ser… não que seja grande personalidade nem conhecida de muitas gentes ou gentes influentes. Não possuo ninguém que me promova ou faça alarde de mim, mas tudo o que sinto é puro, tudo o que faço é sentido. A minha vida é banal mas sofrida e tudo tem uma dimensão lógica que encaixa num espaço e num tempo. E só no meu espaço e no meu tempo posso ser compreendida, só aqui faço algum sentido. Aqui estou ouvindo as ondas bater furiosamente nas rochas como se elas fossem as culpadas, a ouvir o vento a empurrar as ondas cheias de espuma formando um lençol branco imenso e crispado… é assim que eu me sinto, é com isto que me identifico, com esta força bruta de uma natureza agreste que se exprime num barulho medonho e assustador mas que transmite uma serenidade que me completa. Estou em fase de paragem e estagnação, integrada no tempo e no espaço que escolhi só para mim, para pensar serenamente na vida que levo, no que tenho e no que procuro e vim parar aqui ao fim de um mundo civilizado onde ninguém me conhece e eu com ninguém falo, para estar só, para que não possam interferir naquilo que sou. Faço um balanço de tudo…atitudes tomadas e posições assumidas e no fim de contas até pode não valer a pena tanto esforço e dedicação e esta entrega permanente de quem vive a vida segundo a sua vontade. Tu que me ouves, tu que ouves e não julgas, tu que me serás confidente, tu que me aceitas sem criticas, tu que me amas sem condições, sem imposições, tu que me conhecerás como só eu…Já olhaste o mar? Já sentiste a impotência de olhar o mar? Com toda a sua imensidão e transparência…é enorme…tão vasto, tão calmo, cheio de todos os bons sentimentos, dele corre um vento forte e magestoso, sobre ele correm, sem nunca se cansarem, milhares de pequenas paredes de água, caminhando para terra, fustigando-a num misto de força a lealdade. O mar…força da Natureza… com que me identifico em pleno, é ele que me acalma, é ele que me fortalece, revigorante e imponente, manda-me de volta para a vida de todos os dias com nova força, com novo vigor, com todos os sentimentos de quem quer mudar o mundo, dá-me de novo o alento que os outros me tiram, dá-me de volta toda a esperança que a vida me tira e que só algo perfeito consegue dar. Através do seu barulho aterrador, oiço os conselhos de quem me quer bem, com a sua luz que se difunde, consigo iluminar o meu caminho, com a sua imagem imagino e descrevo o meu modo de estar perante o mundo…”
publicado por Viver Alentejo às 18:32 | comentar | ver comentários (2) | favorito
12
Nov 05
12
Nov 05

Dois minutos...

Quando se gosta de escrever como eu gosto, cai-se no erro de escrever sobre tudo e qualquer coisa, quer tenha interesse ou não, gastando a paciência de quem lê. Mas como eu escrevo para mim e afinal o blog é meu… paciência…vou continuar!
Quando escrevo tenho uma necessidade primária de dar titulos às coisas… nem que seja um texto de três linhas. Acho importante que se saiba sobre o que quero escrever independentemente do que os outros tirem das palavras que lêm…dois minutos…foi o que me surgiu na minha mente de hoje… Porque quero falar de atitudes, não de feitos,sejam eles grandes ou pequenos, mas de uma coisa simples como um pequeno gesto que pode, sem sabermos, fazer toda a diferença. Mais do que fazer qualquer coisa, nos dias de hoje, usa-se o dom da palavra para afirmação da personalidade…ora isso trás muitos dissabores já se vê, porque um bom orador torna-se obrigatóriamente num bom ser humano e um de fraca rectórica…coitado…não passará de coisa alguma a não ser que alguma alma mais atenta se dê ao trabalho de o investigar melhor. Assim, o mundo é daqueles que bem falam e argumentam e sabem escolher as palavras e pô-las no devido lugar para impressionar… e o certo é que impressionam…
O resto… não importa o resto!
Mas eu sou uma alma atenta, não me impressiono com palavras bonitas nem com atitudes grandes e visiveis para com o próximo… mas dou importância às palavras trocadas e ditas fora do lugar mas que são sentidas e aos pequenos gestos que se não mostram mas dão frutos… dou valor a dois minutos que se concede a alguém mesmo que não se conheça esse alguém só porque se acha importante dar uma palavra…que pode valer por cem. Hoje fiquei contente por ver que ainda há quem se disponha a gastar poucas mas certas palavras com quem não conhece… obrigada Bravus pelos dois minutos que me concedeu…
publicado por Viver Alentejo às 16:19 | comentar | ver comentários (4) | favorito
08
Nov 05
08
Nov 05

Amigos...

Vamos falar de Amizade porque hoje é terça-feira e parece-me bem.Amigos e amigos e mais conhecidos e depois vêm os que se conhecem de vista mas que são sempre potenciais qualquer coisa… mas primeiro estão os amigos, claro!E estes tais de amigos quem são? São aqueles com quem converso e passo umas horas por dia? Não, esses podem ser só conhecidos… e os conhecidos o que são? São aqueles com quem me cruzo e dou dois dedos de conversa? Acho que também não porque esses também podem ser os amigos ou alguém que conheço de vista mas de tanto ver já ouso dizer qualquer coisa… então? Como é que classifico os amigos? Aquelas frases foleiras que se mandam nos postais e nos sms modernos com palavras doces sobre a amizade não me parecem servir para isto…porque normalmente não se pensa nos amigos com flores à volta nem com bonequinhos a dizer que gosto de ti… Eu posso pensar em alguém que está ausente só porque também gostava de estar ausente e não necessáriamente porque considero esse alguém meu amigo. E podem passar dois anos sem ver alguém e no dia em que vejo parece que passaram dois dias. E também acontece falarmos muito com alguém que nunca será nosso amigo… e temos aqueles que estão sempre ali mas que falam pouco…e depois temos uns que serão sempre dúbios e que nunca vamos descobrir o que são por serem tão indefinidos como pessoas que acabam por passar essa indefinição para nós. Amigos de infância não tenho nem sei o que são, foram-se perdendo no tempo porque a sua presença na minha vida perdeu o sentido. Amigos de longa data… tenho dois ou três… amigos recentes tenho alguns, mas a pouco e pouco acabam por desvendar a sua pouca amizade e nenhuma cumplicidade. A amizade é algo que se vai construindo, um bocadinho todos os dias…ao longo do tempo e incondicionalmente…aceitando as diferenças e os arrufos, as más disposições e as alegrias, conversas de circunstância e debates profundos sobre a existência de cada um…é estar lá quando é preciso e pedir desculpa ou desculpar quando não se está, é zangarmo-nos e fazer as pazes na mesma conversa, é dar razão ou tirá-la conforme o que achamos mesmo que estejamos errados ou se enganem em relação a nós, é sentir que nada vai abalar a relação porque ela não é abalável. Amizade é sentir o que eu sinto pelos meus amigos…quem? Eles sabem quem são!
publicado por Viver Alentejo às 20:48 | comentar | ver comentários (5) | favorito
04
Nov 05
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Nov 05

Os três ratinhos...

Podia muito bem ser uma qualquer história para crianças mas não é! Pode ser uma história mas de três homens perdidos em si mesmos e à espera de se encontrarem em alguém porque ainda não o conseguiram fazer por eles e sem ajuda.
Acho que dão um novo significado à maneira de estar com os outros… identifico-me com eles porque também eu já fui assim.
São educados, simpáticos, inteligentes, bons amigos, divertidos mas no que toca a tratar da vida deles, cada um por si entenda-se, têm sido um desastre!
Sim…um desastre… pensam e repensam sabe deus em quê pois nada do que pensam lhes tem sido útil.
Ontem fomos jantar os 4…os três ratinhos…e eu…que não sei bem que bicho serei para a história fazer sentido! Depois se vê! Pelo menos para já não me chamaram coisa nenhuma…sim, porque já é mau chamarem-se ratinhos…mas fizeram-no com tanto orgulho que dá gosto ouvir!
Ligaram-me para eu aparecer pois juntaram-se os três e acharam que eu devia estar presente.Fui… fui por eles e por mim que já lhes ía sentindo a falta… Acabou por ser um jantar de sempre… rimos e fizemos rir, jantámos bem e conversámos… tentei entender cada um deles na sua maneira de se apresentar, é curioso… como sendo tão diferentes, juntos até fazemos algum sentido.Primeiro achei que precisavam mesmo de mim porque até eles acharam… mas com o passar do tempo, senti que não precisam de mim…gostam de estar comigo e a minha presença dá-lhes algum conforto mas acho que já não precisam de mim. Os meus três ratinhos, homens feitos, já estão crescidos e ainda não sabem, mas ontem senti… o ratinho azul amadureceu mais depressa por força das circunstâncias, o ratinho verde e o encarnado, por não terem circunstâncias, ainda estão um passo atrás, mas no bom caminho… há um par de anos, só conseguiam sair das embrulhadas depois de eu os fazer sair…agora, não dão bem por isso, mas já só precisam de mim para me contar que já sairam e como o fizeram…
Lindos ratinhos….
publicado por Viver Alentejo às 13:01 | comentar | ver comentários (3) | favorito
03
Nov 05
03
Nov 05

A vida como ela é...

Passamos a vida a arranjar justificações para o que não se explica! Porque não temos capacidade para aceitar que as coisas são como são, simplesmente porque sim… o nosso orgulho de seres pensantes não nos deixa espaço para admitir que pouco podemos fazer para mudar o rumo das nossas vidas. Queremos à força que o mundo se adapte a nós, às nossas necessidades, aos nossos desejos ou puros caprichos para que a vida seja mais fácil. Queremos que as pessoas de quem gostamos gostem de nós, queremos poder satisfazer todas as nossas vontades e que o universo se conjugue só para nos fazer felizes. Quando as coisas não nos correm assim, lá começamos nós a procurar explicações…temos de saber porquê! Não podemos sentir que falhámos, temos que encontrar causas externas para isso ter acontecido…Culpa! Vamos culpar os outros…ou então, para os menos ousados, vamo-nos culpar a nós mesmos pela derrota!
Pois…mas a vida é mais que isso! Alguém me diz constantemente: “ eu limito-me a viver a vida como ela é…!” E eu pergunto-me como é que se vive a vida como ela é? Vamos ver…
Eu acordo e vejo o tempo, de acordo com ele, visto-me. Saio para a rua e de acordo com o trânsito, conduzo mais rápido ou fico parada. Vou trabalhar e de acordo com o momento e com as pessoas que estão, trabalho mais ou menos, melhor ou pior. Vou ter com os meus amigos e de acordo com o seu estado de espirito, estou mais ou menos feliz. Sim…se virmos bem as coisas, os meus dias são compostos de um sem número de variáveis que se conjugam ou não para me fazer ter um dia bom ou nem por isso…e eu só tenho que me adaptar aos estimulos que recebo diáriamente… Não posso ter a pretensão de achar que sou tão importante que o universo se une por minha causa…afinal sou mais um ser no meio de todos e nem tudo o que acontece é por minha causa… quando as coisas não correm como eu gostaria, nem sempre é uma derrota, nem sempre tem que haver culpados, nem sempre eu tenho que me sentir infeliz por isso…
Agrada-me… vou tentar começar a viver a vida como ela é…seja lá isso o que for.
publicado por Viver Alentejo às 18:35 | comentar | ver comentários (1) | favorito