27
Nov 05
27
Nov 05

Linha 5 e linha 8

Como qualquer comboio que se preze, tenho passado os meus dias, rolando pelos carris, sempre seguindo na direcção estabelecida…sem grande apresentação, tenho percorrido o meu caminho, nas carruagens normais, a velocidade de cruzeiro, andando… nem depressa nem devagar. Um dia reparei numa outra composição que seguia no mesmo sentido que eu. Andávamos na vida de linhas comerciais, com estações e passageiros. Eu na linha 5 e ele na linha 8. Por um acaso, um dia em que ambos saimos para um passeio por outras paragens, travei conhecimento com ele…e pensei:“ Que sorte…não há muitas carruagens a vir por aqui…assim já tenho companhia!”
Começámos uma viagem surpresa, sem destino nem planos, sem direcção definida nem regras estabelecidas…iamos apenas…por essas linhas fora. Conversavamos e corriamos velozes sem rumo mas em permanente êxtase com as paisagens que se nos deparavam. À medida que corriamos e descobriamos caminhos por onde nunca tinhamos andado, sentiamos uma enorme vontade de ir mais além… A velocidade de cruzeiro rápidamente aumentou e havia alturas em que quase corriamos, loucos de felicidade por termos encontrado companhia numa viagem que ambos julgavamos solitária. O meu entusiasmo era tanto que não me apercebi de que a minha composição, embalada, ganhava velocidade e a outra já andava em esforço para me acompanhar. Foi perdendo velocidade apesar do meu entusiasmo e da sua vontade de correr a meu lado. Um dia quando o questionei de se ter atrasado numa curva mais apertada, com desânimo respondeu-me: “ Tu não vês que não tenho capacidade para te acompanhar? A máquina está em esforço e já tenho alguma dificuldade em manter a tua velocidade. Apesar destes nossos passeios terem sido os melhores da minha vida, eu sempre soube que um simples comboio como eu não poderia nunca viajar com um como tu. A tua máquina é poderosa e a minha comum e tenho a certeza que não te posso acompanhar durante muito mais tempo”. Apesar dos meus esforços para o fazer mudar de ideias, de lhe emprestar a minha potência, de o rebocar e até empurrar nas subidas mais íngremes, o meu companheiro de viagem , a pouco e pouco foi deixando de aparecer nos nossos passeios secretos. Hoje, voltámos às linhas normais, às estações e apeadeiros…eu na linha 5… ele na linha 8, ainda caminhamos lado a lado, na mesma direcção, com os mesmos objectivos mas com duas linhas entre nós e sem partilhar a aventura da descoberta.

publicado por Viver Alentejo às 20:58 | comentar | ver comentários (3) | favorito
23
Nov 05
23
Nov 05

O tempo das coisas...

Por um acaso do famoso destino ou simplesmente porque o “meu tempo” chegou, durante a tarde de hoje ouvi alguém a dizer a outro alguém : “ o nosso tempo acabou”…
Que frase tão simples, pequenina e tão cheia de tudo… talvez porque só hoje o meu espirito se abriu, estas poucas palavras fizeram-me pensar…
Será mesmo assim? Será que na vida de cada um de nós, há um tempo estipulado para cada coisa? E os relacionamentos com os outros? Também têm tempo? E quem o define? Somos nós no dia a dia? Ou será uma qualquer Entidade Superior que gere o tempo da vida de cada um?
Será que algures há alguém que nos ensine e explique isto da duração das coisas? Ou será que, mais uma vez, temos que ser nós a tirar as nossas próprias conclusões, correndo o risco de concluirmos alguma coisa demasiado tarde?
Sei que hoje estas pequenas palavras me fizeram pensar no assunto… Será que no meio de tanto que já me aconteceu, só hoje tenha percebido que nunca aceitei nem me adaptei ao tempo que as coisas têm tido na minha vida, rejeitando essa escolha que alguém fez para mim? Será que a partir de hoje vou conseguir entender de outro modo o porquê de terem arrancado da minha vida, pessoas tão importantes, sem me prepararem para isso? Afinal quem somos nós para querer controlar a passagem das coisas e dos outros pela nossa existência?
Pelos vistos, não somos ninguém... Pelo que me é dado a ver, acho que ninguém controla mesmo a duração dos acontecimentos! Cada uma das experiências que nos são atribuidas terão o seu objectivo, à partida, servirão para nos ensinar qualquer coisa, mas normalmente a duração das mesmas não é suficiente para essa aprendizagem... e depois de tudo ter acabado, passamos não sei quanto tempo a tentar digerir tudo o que nos aconteceu! As coisas não fazem sentido quando acabam, por projectarmos nelas tudo o que um dia sonhámos e não necessáriamente por elas corresponderem aos nossos sonhos. Talvez seja a nossa necessidade de ter tudo controlado que nos faça olhar para as coisas e vê-las como as queremos ver… no fundo… bem pensado…não passam de meras projecções de um sonho!
Acho que chegou a hora de mais um virar de página… acho que o meu último tempo acabou e terá de dar lugar a outro… e se conseguir aceitar que os meus sonhos não passaram de isso mesmo, será mais fácil viver o meu próximo tempo em pleno…na realidade não se pode viver para sempre uma relação perfeita…o seu tempo acabou! Outro virá e só espero conseguir vivê-lo em pleno como o último!
publicado por Viver Alentejo às 19:03 | comentar | favorito
21
Nov 05
21
Nov 05

Legos...

Lembram-se daqueles amigos que não vemos durante meses ou anos e quando os encontramos parece que tomámos café na véspera? Pois hoje encontrei uma… amiga de longa data mas que não é de infância e é daquelas com quem se fala de tudo…sem omitir nada!
È tão engraçado…
Parece-me sempre que me mostram um bocadinho do meu passado para que não me esqueça de como o meu percurso foi importante para justificar o que sou hoje…
Fiquei feliz de a ver…
Pareceu-me mais serena e madura…mais a saber o que quer da vida e o que a vida espera dela! A nossa conversa de meia hora serviu para actualizarmos as informações, sentimentos, localização geográfica e afins das nossas vidas… vim para casa a recordar os anos de convivio quase diário, de como éramos novas, inexperientes e como ainda acreditavamos na vida… bons tempos!
Agora estamos diferentes…básicamente acho que estamos na fase de ser a vida a acreditar em nós e, como tal, vai-nos dando os meios para que consigamos finalmente construir algo que se adapte a nós e onde façamos sentido…
Às vezes a vida parece-se com os legos…temos muitas peças, de muitos tamanhos, cores e texturas…com uma legenda grande em cima: “ construa”. Mas só que não tem instruções nem bonecos para nós copiarmos ou podermos fazer parecido…então coitadinhos de nós…lá vamos olhando para as peças, tentando encaixá-las para que façam sentido, umas vezes conseguimos logo, outras vezes são precisos anos para compreendermos para que servem algumas peças e nos casos mais dramáticos morremos a olhar para as peças soltas e por unir porque nunca conseguimos perceber para que servem.
No nosso caso, começámos com as peças soltas e demasiado espalhadas, imaginámos os modelos a construir sem avaliar se tinhamos as peças certas para o fazer…a vida mostrou-nos que não tinhamos! Hoje, parece-me que as nossas peças estão bem encaixadas e as que sobram, por ainda não termos tido tempo para as colocar, já fazem sentido e já sabemos onde vão ser colocadas…
Que bom quando sentimos que já não falta tudo…
publicado por Viver Alentejo às 01:33 | comentar | ver comentários (2) | favorito
19
Nov 05
19
Nov 05

De volta...

Como diz o ditado, não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe e vai daí que se acabaram as minhas férias e hoje já é dia de labuta...
não devia ser permitido trabalhar com esta chuva, ora se se tem o azar de andar na rua e começa a chover, uma pessoa molha-se, caramba! é aborrecido...Mas tem que ser, porque segundo ouvi dizer, parece que o país não pára só porque chove...quer dizer isto também é discutivel, porque no fundo para o nosso povo maravilhoso, qualquer desculpa é boa para parar tudo e não se trabalhar...
De qualquer modo quero manifestar o meu desagrado por ter que ir trabalhar com esta chuva!
E vou-me retirar sem mais conversa porque o tempo escasseia e mesmo sem grande vontade tenho que ir...
Até breve...

P.S.- No fim da festa e após dois dias...ainda não sei se consegui manter todos os meus amigos...acho que alguns ainda estão a pensar sobre o assunto!
publicado por Viver Alentejo às 13:19 | comentar | ver comentários (2) | favorito
18
Nov 05
18
Nov 05

Feliz aniversário...

Pois que este artigo é que se podia muito bem chamar “o dia seguinte…” mas afinal não pode porque acho que já escrevi um desses…que incomodou algumas pessoas, por sinal, mas eu não tenho culpa que as pessoas precisem de protagonismo e de ser reconhecidas…de qualquer modo, mesmo sem intenção de ferir seja quem for, porque não faz o meu género, aqui peço humildemente desculpa aos lesados…
Adiante…
Festa…vamos falar de uma festa e de vários amigos, ou conhecidos com um amigo em comum e de todos esses parentescos de que também já aqui falámos…
Decidi dar uma festa para os meus amigos…
Eu não costumo dizer-lhes o que penso e sinto por cada um deles, normalmente claro…de quando em vez lá me vai escapando qualquer coisa, mas este ano achei que era bonito festejar a amizade. Então esta minha cabeça brilhante lembrou-se de fazer uma coisa diferente: “ pijama party”!
…É verdade…mesmo que pareça mentira! Uma festa do pijama é daquelas coisas de que toda a gente já ouviu falar mas nunca ninguém foi a nenhuma, nem sabem bem o que é isso…pois eu digo, é uma reunião de amigos, em que todos estão divertidos , a conversar , a rir e a brincar mas estão de pijama…e pantufas claro! Se olharmos à nossa volta…é um delirio! Adorei…e acho que eles também!
Fiz os convites, a alguns dos meus amigos…não todos…mandei-os vir de pijama e…voilá! Pois que todos compareceram e com os respectivos pijamas…por vestir,entenda-se, que os rigores do outono não permitem grandes avarias. Então iam chegando, tinham que ir trocar de roupa de imediato pois estavam proibidos de conviver sem o traje próprio…a seguir, juntavam-se à festa! Foi lindo…
Foi uma festa que organizei com alguma rapidez pois comprei tudo feito, copos, pratos e talheres de plástico para deitar fora e prendas para os meus amigos…
È verdade!
Quando chegaram, tinham junto da lareira um saco com o respectivo nome e com um pedacinho de mim para cada um deles…foram umas palavrinhas para cada um, pois todos eles são diferentes e os sentimentos e tipo de relação também diferem…hoje estou contente, sinto-me como se tivesse cumprido uma promessa feita há muito tempo. Acho que no meio de tanto me tentar situar na vida, faltava situar também aqueles de quem gosto…
Feliz Aniversário!
publicado por Viver Alentejo às 20:55 | comentar | ver comentários (2) | favorito
15
Nov 05

Ar puro...

O verão de S. Martinho ainda não acabou...
Hoje ainda está um sol bonito e não faz muito frio. Por força das circunstâncias tenho estado em casa desde 5ª feira passada, como devem calcular já estava a ficar doida. Hoje saí...e vou sair outra vez...
Soube-me bem respirar ar puro, mesmo que poluído e sentir as forças da Natureza mesmo que atenuadas...
Devo ser um bicho qualquer estranho...nunca consegui entender como me sinto revigorada com um simples contacto com qualquer coisa relacionada com a Natureza... nem que seja ir ao café do lado...já apanho ar e sinto-me francamente melhor!
Agora imaginem o que fazem por mim dois ou três dias fora da cidade...seja campo ou praia...pois não tenho nenhum preferido.
Fazem milagres... depois de uns dias fora, trago energia para seis meses.
Daí a minha oliveira velha...
Como não tenho dinheiro para tudo, prefiro ter a minha casinha pequena na cidade para poder ter o meu espaço no campo...um espaço criado por alguém para que eu lhe desse continuidade... eu depois mostro!
Até lá, vou apanhar mais ar puro que as minhas férias estão a acabar!
publicado por Viver Alentejo às 12:19 | comentar | ver comentários (2) | favorito
15
Nov 05

Aniversário...

Pois é, o meu aniversário está à porta...
Depois de alguns anos sem espirito para festas, este ano resolvi festejar...
Com ou sem motivo para este festejo, o que importa é que me apetece fazê-lo, e como é meu hábito, vou fazer porque quero!
Vai ser uma festa especial... com um tema escolhido por mim e até agora bem aceite pelos convidados. Como tenho uma casa pequena não pode vir muita gente... vou preparar tudo com muito cuidado... vai ser uma festa com requintes de malvadez!
Como normalmente sou uma pessoa sóbria, este ano vou inovar!
Depois eu conto como correu e se ainda fiquei com amigos...???
Já estamos em contagem decrescente...faltam dois dias!
publicado por Viver Alentejo às 12:08 | comentar | ver comentários (2) | favorito
14
Nov 05

De volta à vida...

Recomeçar uma vida, partindo do zero, como se nada tivesse existido antes, pode parecer um projecto arrojado ou mesmo utópico, mas em certas alturas da vida é fundamental. Mais complicado se torna quando temos de continuar a viver com essas mesmas pessoas que pertenceram a esse mesmo passado que se pretende esquecer. Talvez não esquecer mas pelo menos aprender a viver com ele distante e não constantemente presente como se ainda fizesse parte dos nossos dias. Acho que exigimos demasiado de nós, queremos fazer demasiadas coisas ao mesmo tempo, sem parar para pensar no fundamental que somos nós.Ocupar o tempo é bom quando o espírito está livre para novos desafios e nunca quando se tenta ocupar o tempo para nos esquecermos de nós mesmos. Eu acho que ainda fui a tempo, deixei-me chegar ao fundo sem que me apercebesse, tudo na minha vida estava um caos e eu não conseguia ver. A minha casa parecia qualquer coisa que não me pertencia, estranha sem qualquer ordem, sem qualquer significado. Votei-me a um desleixo sem precedentes, abandonei-me a mim própria precisando sempre dos outros para me fazerem andar.Saía pelos outros, vestia-me pelos outros, acordava pelos outros e andava ao sabor da inspiração de todos menos de mim.Toda a gente servia para me ocupar o tempo e a alma, deixei que invadissem o meu espaço, pois sem eles eu não existia. Tudo nos outros era uma questão de vida ou morte, deixei-me invadir por completo pelas suas vidas.Um dia acordei com uma nova vontade, vontade de voltar a ser eu…foi assim, sem dar por isso, de um dia para o outro tudo começou a ficar no seu lugar, os acontecimentos a fazerem sentido, as pessoas a irem para os seus devidos lugares…enfim tudo se compôs! E sem esforço, com algum sofrimento é certo mas uma coisa aprendi… Tempo…o tempo acaba por nos pôr no nosso caminho, não vale a pena forçar as coisas. Tudo vai ao lugar no seu devido tempo… afinal eu sou prova viva disso mesmo…só temos que ter um pouco de paciência para nós mesmos, depois de me aperceber que o meu maior mal era falta de paciência para o meu sofrimento, tudo se tornou mais fácil… hoje, já encontrei o meu rumo e apenas me resta ajustar no meu caminho os contratempos que a vida me dá…tudo tem uma nova dimensão quando definimos as nossas prioridades e deixamos de ter pena de nós mesmos…
publicado por Viver Alentejo às 22:02 | comentar | ver comentários (2) | favorito
14
Nov 05

Blogs...

Oh valha-me deus...( citando o meu mentor do blog).
Estive a passear pelo sapo e andei a ver blogs…sim,sou um bocadinho cusca!
e então pois que afinal achei o meu blog tão pobrezinho, coitado... Já comentei este facto tão importante na minha existência e já encomendei um novo look para o dito!
Vamos ver como vai sair...
Claro que não quero a minha oliveira cheia de bonequinhas psicadélicas e de corações e estrelinhas... mas nem tanto ao mar!
Para já... e para inicio da coisa já lá estão uns gatinhos. Nasceram na oliveira velha, e já pertencem à segunda geração...eu sei têm um ar um bocado rameloso, mas enfim...são como são e eu acho que são engraçados...
em segundo lugar falemos de conteúdo... mesmo sem ter um ar artilhado como os outros, a minha oliveira, mesmo velha, é muito á frente! ( isto sou eu orgulhosa) por ter um blog que apesar de novinho já tem qualquer coisa de carismático... para quem não sabia o que fazer com o blog... acho que não me estou a sair nada mal...vamos ver quanto tempo é que isto dura!
publicado por Viver Alentejo às 19:58 | comentar | ver comentários (1) | favorito
13
Nov 05
13
Nov 05

Seixo

Segui os passos de um corpo inanimado mas não me consegui mover. Parei assustado sem compreender. A minha forma é oval, minha consistência compacta, o meu nome é seixo e vivo numa praia rodeado de escarpas.São montes gigantescos, nacos de pedra colossais que me fazem sombra noite e dia,perdido aqui ou em qualquer lado, tanto faz...De aparência inutil sirvo de reforço, reforço à terra, ao mar e ao mundo. Passam por mim e não me vêem, pisam-me e não dão por mim...mas se eu não existisse... chamam-me inanimado,ah! se eles soubessem.O mundo começou unido,um só! apareceu o vento,a chuva e o sol, a terra estremeceu e eu nasci. Andei por aí...umas vezes a sul outras a norte, rolei,rolei,rolei até ser o que sou hoje, aqui parado entre tantos outros como eu. Já fui empurrado pelo vento, lavado pelo mar,aquecido pelo sol, atirado pelas mãos dos que julgam que morri. Hoje, aqui, alojado no meu canto, resolvi falar ao mundo,para que a partir de hoje o mundo fique diferente só pela simples razão de saber que eu existo.
publicado por Viver Alentejo às 22:45 | comentar | ver comentários (3) | favorito